Fichamento — Lições de Arquitetura (Herman Hertzberger)

Herman Hertzberger tenta mostrar, nesse livro, que arquitetura não é só fazer prédio bonito ou forma chamativa. Para ele, o mais importante é deixar espaço para as pessoas se sentirem parte do lugar. Ele fala muito que a arquitetura deve ser meio “aberta”. Aberta como? Aberta no sentido de dar opções para o uso. Ele não quer tudo engessado, tipo “aqui é sala, aqui é corredor, ponto final”.

Um exemplo claro é quando ele mostra escolas que ele mesmo projetou, como a Montessori, onde não tem só sala fechada. Tem cantinho, tem escada que vira lugar de sentar, tem corredor que é mais do que corredor. O usuário, que no caso são crianças, professores, pais, vira parte do projeto.

Hertzberger bate muito na tecla de que o arquiteto não é dono do espaço. O usuário é. Se o prédio não permite que as pessoas façam dele o que quiserem (dentro do possível, claro), é um prédio sem vida. É aí que ele critica o que ele chama de “safari”.

O “safari” é tipo quando a arquitetura vira atração turística: tudo lindo de ver, foto de capa de revista, mas na hora de usar… não funciona. É igual você ir num zoológico ver bicho enjaulado: é bonito mas não é o bicho de verdade, solto, agindo como bicho mesmo. A arquitetura safari é isso — bonita pra ver, ruim pra viver.

Outra ideia dele é sobre os espaços “entre”. Não é só o que tem dentro da sala, mas o que rola no meio do caminho. Corredores, pátios, escadas, varandas. Esses lugares “meio termo” viram ponto de encontro, de conversa, de descanso. Às vezes é ali que as coisas mais legais acontecem.

Uma coisa importante é que ser “aberto” não quer dizer bagunça. Hertzberger fala que o projeto tem que dar algumas pistas: degrau que convida a sentar, janela que pode virar banco, nicho pra se esconder pra ler. Flexível, mas não vazio.

No fim, o livro é meio que um puxão de orelha pros arquitetos que gostam de forma escultura e esquecem que prédio é pras pessoas. Ele mostra que a função social da arquitetura é maior que a forma sozinha. É tipo fazer uma casa que a pessoa sinta vontade de chamar de casa, e não só um prédio premiado.



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