Teoria do não-objeto
Resumo — Teoria do Não-Objeto (Ferreira Gullar)
O que é o não-objeto:
O não-objeto é uma criação artística que não representa nada e não se confunde com objetos do cotidiano. Ele não remete a outro sentido ou uso, mas se apresenta diretamente à percepção sensível. É uma síntese de experiência sensorial e mental, transparente à percepção, sem a opacidade dos objetos tradicionais.
O que o diferencia:
- Não representa (como um quadro ou uma escultura) nem tem função (como um objeto comum).
- Não depende de moldura, base ou limites convencionais da arte.
- Só se realiza plenamente na interação com o espectador, que atualiza sua existência sensível.
- Não tem nome, função nem referência externa: sua significação é imanente, nasce de sua própria forma.
Contexto histórico na arte:
- Impressionismo: inicia a dissolução da representação.
- Cubismo: fragmenta e idealiza o objeto.
- Mondrian e Malevitch: radicalizam a abstração, eliminando o objeto representado.
- Duchamp (ready-made): desloca objetos comuns para o campo da arte, mas ainda baseado em seu sentido cotidiano.
- Neoconcretismo (Brasil): (Gullar, Lygia Clark, Hélio Oiticica) supera a abstração pura, criando obras que existem apenas no contato direto com o corpo e o espaço.
O não-objeto representa uma nova forma de arte que abandona a representação e propõe a experiência direta, criando uma presença viva e mutável que só existe em relação ao espectador e ao espaço real.
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